domingo, 17 de agosto de 2014

Enviado do papa ao Iraque, cardeal Filoni relata dramática situação psicológica e moral dos refugiados

Por Assessoria de Imprensa   17 / Ago / 2014 10:41

Prossegue a missão do enviado especial do papa ao Iraque, cardeal Fernando Filoni, entre os refugiados no Curdistão. O prefeito de Propaganda Fide levou nesta sexta-feira ajudas do Santo Padre a uma comunidade yazida. Neste sábado teve outro significativo encontro com membros deste grupo religioso. Eis o relato do cardeal, entrevistado pela Rádio Vaticano:
Cardeal Fernando Filoni: "Na manhã deste sábado (16) encontrei em Duhok o governador desta região: falamos amplamente sobre a situação dos refugiados e tomamos conhecimento daquilo que o governo local está fazendo em favor dos vários grupos. De sua parte, naturalmente, há um empenho muito generoso, embora, é claro, a região não disponha dos meios suficientes para enfrentar, por muito tempo, a situação que veio a ser criada: a população quase dobrou em relação à precedente. Portanto, também ele pede que as ajudas cheguem o mais rápido possível, sobretudo em relação aos gêneros de primeira necessidade. Fomos visitar, com os outros bispos, o patriarca caldeu e o núncio, os vários acampamentos para refugiados e fizemos uma visita a Manghes, que é um vilarejo onde há um bom número de católicos caldeus e onde pude ver a situação e falar com as pessoas que estão acolhidas no centro paroquial dali, no qual numerosas famílias se encontram refugiadas. Trata-se de pessoas que fugiram de Qaraqosh, de Bakhdida e de outros vilarejos da Planície do Nínive. Confiam que a Igreja não os abandonará, mas também fazem apelo a fim de que seu grito não seja esquecido a nível internacional.
Depois, ali perto, fomos visitar uma escola colocada a disposição pelo município, onde se encontram refugiados yazidis. Ali encontrei uma situação muito, muito dramática: não tanto do ponto de vista logístico, quanto do ponto de vista psicológico e moral. Vi, sobretudo, mulheres e muitas crianças e poucos anciãos... Ao falar comigo, esses anciãos choravam porque não veem um futuro para sua terra, sua cultura, sua tradição e continuamente nos perguntavam: "O que fizemos de mal para sermos assassinados?" As mulheres estavam-se numa situação passiva: entre a comoção, o choro e a incapacidade de ter uma reação, abaladas pela dor e pelo sofrimento. As crianças, naturalmente muitas, que nos rodeavam, nos olhavam com aqueles olhos grandes, quase a perguntar-nos: "O que vocês estão fazendo por nós?" Uma situação comovente, de grande sofrimento, creio, partilhada por todos. O fato de assegurar-lhes que o Papa e a Igreja Católica os defende, que fala por eles e que eles têm voz através de nós, deu-lhes um pouco de encorajamento. Ademais, continuam chegando notícias de assassinatos: fala-se de 100 homens que teriam sido mortos, a notícia chegou esta manhã...(16 de agosto). Estamos procurando verificar. Fala-se de situações desesperadoras em alguns vilarejos, porque o povo não conseguiu fugir."
Fonte: Rádio Vaticano / www.pom.org.br

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